sexta-feira, 18 de junho de 2010

São as linhas deste livro meu e teu

São as linhas deste livro, meu e teu
O livro das promessas, não cumpridas
Este enredo que envolveu, nossas vidas
Paginas de tudo, que aconteceu

Tudo aquilo, que um ao outro prometeu
E foram tantas coisas, prometidas
Que deixaram, suas marcas e feridas
Enquanto, que tudo se esvaneceu

Livro, de projectos e de ambições
Expressão, de dois pobres corações
A pulsar em nós, antes e depois

Foi linda Historia real, que nós criamos
Esta herança, que aos vindouros deixamos
Pois a obra, será sempre de nós dois!

AUTOR
MANUEL J CRISTINO

domingo, 13 de junho de 2010

Um dia perguntei ao vento que passava

Um dia, perguntei ao vento que passava
Porque ria ele de mim, á gargalhada
Troçando da minha alma, já cansada
Que sorria, a disfarçar o que chorava

O vento zombeteiro, não escutava
O meu grito, de voz desencantada
Tão farta, de gritar desesperada
A insistir, na resposta que esperava

Aos infelizes, eu deixo a mensagem
Para resistir sempre, com coragem
Nesta luta, da verdade e do amor

Certos, que quando a vida terminar
Não vai faltar gente, para gritar
Depois da morte, o teu justo valor!

AUTOR
MANUEL CRISTINO

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Tenho ódio por tudo que me rodeia

Tenho ódio, por tudo que me rodeia
O sol, a lua e o amor, que faz sofrer
O espírito, cansado de viver
E esta vida, de nada sempre cheia

A minha esperança, já nada anseia
Traz névoa no horizonte, a me dizer
Que tudo que eu vivi, tente esquecer
Porque a vida passada, me foi alheia

Eu guardo no meu peito, este segredo
Não quero que o descubram, só por medo
Já que não soube encontrar, meu amor certo

Quero viver no breu, na escuridão
Como estatua, que não tem coração
A viver á milénios num deserto!

AUTOR MANUEL J. CRISTINO

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quem me deu este condão de ser quem sou

Quem me deu este condão, de ser quem sou
P`ra te ver e gostar, assim de ti
Brilhas mais de que o sol, que vive em mim
E que a vida, que tudo me negou

Foste quem neste mundo, me marcou
Segui-te, como a luz e descobri
O caminho da uma porta, que abri
E que o meu coração, idolatrou

Agora não sei mais, quem é culpado
E nem porque fui, assim crucificado
Tornando inútil, tudo quanto fiz

Durante dia e noite, vou pensando
No meu futuro sempre, sonhando
Rumar as estrelas, p`ra ser feliz

AUTOR
MANUEL JOÃO CRISTINO

domingo, 30 de maio de 2010

Angustia no pensar dor sofrimento

Angustia no pensar, dor, sofrimento
Tortura permanente, noite e dia
Vivendo no limite, da agonia
Numa revolta vil, de desalento

E mesmo sem querer, o pensamento
Que tudo faz, desfaz e contagia
Vem cá dentro roubar-nos, a alegria
Tornando nossa vida, num lamento

Nada pode apagar, nossa memória
Já que fazemos parte, duma história
Onde queremos tudo, bem guardado

Eu queria ser outro mundo, no além
Para lá viver só eu e, mais ninguém
Como se eu fosse, a esfinge do passado

AUTOR

MANUEL JOÃO CRISTINO

sábado, 22 de maio de 2010

Levei a minha vida sempre a fingir

Levei a minha vida, sempre a fingir
Vivendo em convulsões, a cada passo
Para justificar, o meu fracasso
Escondia as lágrimas, em meu sorrir

Não á riso de flor, para me acudir
Nem milagre de rosas, no regaço
Nem conforto de Mãe, com seu abraço
Nem o sol doutro mundo, por surgir

Eu sou a planta silvestre, desprezada
A carpete que todos têm pisado
Eu sou o riso, sou a troça, descartada

Carrego a grande cruz, a mais pesada
Que ao longo da vida, me tem vergado
Enquanto grito a dor, de não ser nada!

Autor
Manuel João Cristino

quarta-feira, 17 de março de 2010

NÃO REGRESSASTE

Não regressaste,
Procurei-te junto ao mar,
Em desespero latente,
Chamei por ti, por onde passei,
E fui escrevendo mensagens,
Com o teu nome gravado,
Nas pedras tristes,
Dos rochedos imponentes,
E nas ondas doiradas,
Da areia da praia, suave e pura,
E fui deixando também,
A mensagem dos meus passos,
Como prova da minha luta,
Na procura da tua vida,
Mas á um momento, que fixei o olhar,
No crepitar das ondas enfurecidas
E embriagado pelo ruído e beleza do nada,
Que me dava o horizonte,
Fiquei estatuo, imóvel,
Como que a dormir acordado,
De olhos, muito abertos!
E imóvel, parti numa corrida louca,
Até ao infinito das minhas recordações,
Onde só restam lápides de memória,
Sem ouvidos, nem olhos!
E de repente acordei, sem ter dormido,
Ao som do grasnar, das malditas gaivotas,
Olho na sua direcção, na direcção do céu,
E ao contemplar, a magia da luz e das aves,
Vi que nessa luz, que brota das estrelas,
A iluminar toda a terra,
Havia algo, que eu nunca tinha visto,
E observei tudo isso, atentamente,
Era uma dança, a dança das aves, da morte,
Sobre a terra e sobre o mar,
Vinha essa dança supersticiosa ,
Que uma voz estranha e muda,
Denunciou, gritando!
Mau presságio! Mau presságio!
Vem ai a dança da morte!
Por ventura, a morte
Dessa vida, que procuras!
Sem nunca mais, a encontrares!
AUTOR