sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

COM LÂMINA OU LINGUA QUER CORTAR CORTE

Com lâmina ou língua, quer cortar corte
Sou pobre, sou humilde, sou uma pessoa
Que pouco importa, que o bicho me roa
Tão pouco, o que me resta, a pós a morte

Eu tive sempre, o mal por minha sorte
Andando na incerteza, sempre á toa
Como marinheiro, vigiando a proa
Sombra de fraqueza, que se fez forte

Que se dissolva, toda a minha vida
Tal como qualquer, pinga de agua caída
Se esconde na terra, bem lá no fundo

E como o sol, que está sempre presente
Fique bem vincado, na vossa mente
O meu ultimo poema, que fiz no mundo


AUTOR MANUEL JOÃO CRISTINO

NOS TEMPOS QUE EU PASSEI POR IGNORANTE

NOS TEMPOS, QUE EU PASSEI, POR IGNORANTE
FUI O VERSO, DA VERDADE, FUI ESCLUSÃO
E ASSIM FUI VIVENDO, NA ESCURIDÃO
COMO QUALQUER, ANÓNIMO VIAJANTE

O MUNDO, PARECIA-ME SER DISTANTE
OU MESMO, EM LIBERDADE, UMA PRISÃO
EU NÃO SENTIA, PULSAR MEU CORAÇÃO
NO CORPO DESTE MUNDO, TÃO ARROGANTE

QUANDO UM DIA, A INJUSTIÇA SE ACABAR
E A MINHA VIDA E VOZ, SE SUFUCAR
E LEREM NOS JORNAIS, QUE EU JÁ MORRI

VOLTAREI Á OUTRA PÁTRIA, DA VERDADE
PARA ENTÃO, ME ABRAÇAR A ETERNIDADE
E DEIXAR FICAR, MINHA SOMBRA AQUI!

AUTOR MANUEL JOÃO CRISTINO

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

VOLTA P´RA MIM AMOR

Quero que tu voltes para mim amor
Vem ver, eu chorar traz-me, um abraço
Tenho tanta coisa, para te dizer
E historias, para te contar
Confiante que apenas tu me entendes
Tenta saber de mim, olhar meu rosto
Lembra-te, que me encontro só, neste vazio
Nada me resta para, recordar
Se não a tua imagem
Que mesmo a dormir, vejo o teu rosto
Tenta perceber, como eu vivo
Só neste espaço vazio
Sempre esperando, a hora do teu regresso
Que é a única coisa que sei fazer
Por tanto, ter fixado teu rosto
Tenta ver-me agora amor
Que eu fico aqui parado, a tua espera
Espreitando a hora, de tu voltares
Parece, mas não é estranho
Pois esta é a única forma
De eu te voltar a encontrar
E te ver olhar para mim
De olhos, bem fixos, nos meus olhos
Até ao fim da nossa vida!

MANUEL JOÃO CRISTINO

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

SÓ AMIGO

ACEITA A MINHA AMIZADE, QUERIDA
APENAS, SÓ TEU AMIGO EU QUERO SER
E POR TODO O TEU AMOR, TROCAVA A VIDA
OUTRA COISA, NÃO FARIA PODES CRER


PODE SER CULPA TUA, ESTA DOR SOFRIDA
MAS ME DÁ CERTO GOSO, PODER SOFRER
OU MELHOR POR TEU AMOR, ROSA VESTIDA
PODER TER, UMA RAZÃO PARA MORRER


BEIJA-ME POR AMOR, TEM SENTIMENTOS
DE AMIGO, DE GEMEUS, OU MESMO IRMÃOS
COMO AVES, QUE CANTAM, OS SEUS LAMENTOS


BEIJA-ME, TORNA-ME A FANTAZIA LOUCA
AGARRA ESTA EMOÇÃO, COM AS TUAS MÃOS
E OS BEIJOS QUE SONHEI, DAR-TE NA BOCA

MANUEL JOÃO CRISTINO

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

MAR INCONSTANTE MAR INCONFORMADO

Mar inconstante, mar inconformado,
Porque andas, sempre assim a murmurar
Discordando, das regras e do luar
Ó amor imperfeito, mal-humorado

Pássaro azul e branco, desfraldado
Usando asas, de vento para voar
Opulento, na voz e no rosnar
Rei secreto, de um mundo incontestado

Meu inimigo temido, cheio de graça
Encerrando segredos, por contar
E firme, na arrogância de sua raça

Meu amor, teu coração reside em mim
Que pulsa em meu sangue, como este mar
Que para mim, será eterno até ao fim

AUTOR MANUEL LOAO CRISTINO

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O VELHO

O tempo corria
O tempo passava
O velho não vivia
O velho vegetava
Um carro passava
E o velho acenava
O comboio apitava
E o velho escutava
Ao rico que passava
O velho se curvava
Se o jovem brincava
E o velho recordava
A fome que passava
E o velho suportava
O doutor não chegava
E o velho esperava
Como nada mudava
O velho delirava
Se o sol se afundava
O velho dormitava
E o dia já não voltava
Nem o velho acordava
A história acabava
O velho se apagava
Da história se falava
Pois tudo terminava


AUTOR MANUEL CRISTINO

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O MENDIGO

Outrora, viveu no Mundo das entranhas
E foi igual, a mim, a ti, a eles, a nós…
Chegada a hora, partiu desse mundo,
Rumo ao mundo da Luz,
Onde permaneceu na escuridão
Sobre a protecção, de sua Mãe
Alegre e faminta, deu-lhe de beber
Leite que não tinha,
Nos seus peitos desnutridos!
Aconchegou-o em si,
Entre seus braços esqueléticos
Deu-lhe de comer, do que tinha,
Entre suas mãos vazias,
Carinho, ternura e amor,
Prato de ingredientes de mãe,
Mas isso durou pouco tempo,
Ela não resistiu, ás sevícias da miséria
E sucumbiu...
E o pobre, ficou mais pobre,
Entregue á roleta da vida,
Nos braços de uma Mãe fictícia,
Chamada Mãe Pátria,
Que embora o tenha aceite
Nunca o reconheceu como filho,
Tratando-o sempre, como bastardo,
Não teve direito ao Pão, nem á educação,
E só por instinto sobreviveu,
Frequentou a Universidade da vida,
Formou-se na área Vegetativa
E completou o curso da esperança,
Exerceu com rigor, essa função,
Todos os dias vegeta!
Sem nunca perder o hábito de comer
Valeo-se das escassas esmolas,
Provenientes de mãos generosa
De gente pobre e humilde
Que o mundo inteiro reconhece,
Pela grandeza, da sua generosidade
Persegue as esmolas, porta a porta,
Por entre estradas, montes e montanhas,
Desbrava terras, abre estradas, constrói pontes,
Ergue Castelos e Muralhas,
Serve Clérigo e Nobres, come mágoa bebe dor,
Trabalha e não recebe,
Constrói com seu suor,
Ricos e majestosos Patrimónios!
Grita por justiça e ninguém ouve!
E aos irmãos gémeos das entranhas, eu pergunto?
Se vão ficar indiferente, a tudo isto?
Aos gritos desesperados, deste irmão?
Se vão ficar sentados, na varanda dos Palácio,
A ostentando os pedestais dourados, e em silencio?
Enquanto carne da vossa carne, agoniza na rua,
Sobre as pedras húmidas e frias, da calçada nua!
E se confunde com o lixo, que vocês próprios produzem!
Levantem a cabeça, reforcem essa mente Humana.
E vão procurar nosso irmão,
Por entre os labirintos da Miséria,
Dêem-lhe a mão, não o deixem sucumbir,
Dêem-lhe o resto, do vosso pão,
Do vosso vinho,
Do vosso amor,
Dêem-lhe respeito e compreensão,
E dêem-lhe, só mais um pouco,
Dêem-lhe o resto,
Só o resto, de tudo que vos sobeja!
Que só isso lhe chega, p´ra ser feliz!

AUTOR MANUEL J CRISTINO